Crítica: Tropa de Elite 2

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Ele está de volta! Capitão Nascimento, o personagem mais famoso do cinema brasileiro recente, retorna para contar uma história mais cruel e polêmica. Na verdade não é capitão. Em Tropa de Elite 2 (2010), cerca de 15 anos se passaram desde os acontecimentos do primeiro filme e o personagem agora é Tenente-Coronel do BOPE. Na trama do filme, Nascimento precisa enfrentar um perigo muito maior do que no primeiro filme: as milícias. Quando descobre que os verdadeiros inimigos usam terno e gravata, ou seja, os políticos, a situação se complica. Em meio a toda a corrupção, ele precisa lidar com as preocupações do seu filho adolescente, que não nutre muito carinho pelo pai. Poderia detalhar mais o enredo, mas sinceramente, acho que é mais interessante você mesmo conferir no filme. Antes de abordar as temáticas, vale destacar as atuações.

Assim como em “Tropa 1”, a interpretação beira o realismo. André Ramiro volta como Mathias, que ocupa o cargo de Capitão nesse filme. Mais centrado, mais ciente de que agora é policial, sem a ingenuidade de quando entrou para o BOPE. Muito bom. Entrevistei Ramiro em Florianópolis, uma semana antes da estréia do filme. Vi um verdadeiro artista falando. Além de atuar, Ramiro é cantor de rap, e demonstrou que leva a sério a arte, que realmente estuda o que faz, no sentido de pesquisar e saber o que está fazendo. Confira a entrevista com ele no vídeo no final desta crítica. Irandhir Santos traz um tom acinzentado à trama como o ativista de direitos humanos Diogo Fraga. Milhem Cortaz está mais canastrão como o policial Fábio, assim como Sandro Rocha como o Major Rocha. Junta-se a eles o extrovertido André Mattos como Fortunato, um apresentador de um programa sensacionalista que entra para a política. Cada um cumpre muito bem seu papel. Mas o filme é mesmo dele: Wagner Moura. Ele brilha em cena. É perceptível o amadurecimento do personagem entre os dois filmes. Vemos sua decepção em descobrir as reais corrupções no sistema. Note que não é raro ver Nascimento com os ombros mais caídos, como se carregasse o peso do mundo sozinho. Vivendo tudo o que ele vive, você também se sentiria assim.

Vou confessar que saí tenso do cinema. A temática mostra, de forma explícita, a corrupção que toma conta do país. Políticos montando esquemas para se elegerem, policiais cobrando propina para protegerem pessoas, editor de jornal se recusando a publicar matéria contra o governo porque o próprio apóia o jornal… é de dar nojo perceber que tudo isso realmente acontece de verdade. Todos nós sabemos que o país tem esses problemas, mas ver isso com os nossos próprios olhos, mesmo que numa ficção, é bem diferente. É de abrir os olhos. Não há espaço para lamentações. As balas disparadas têm destino certo e se alguém morre no filme, é de forma curta e grossa, sem tempo para frases de efeito. Essa temática da corrupção está muito presente hoje no cinema. Não só no Brasil, mas em produções americanas também. Até em filmes como Batman – O Cavaleiro das Trevas, que mostra o Homem-Morcego enfrentando o crime organizado em Gotham City, e não só dando porrada no Coringa.

Tenho certeza que muitos são contra as ações de Nascimento, que acusam o personagem de ser fascista. Mas quer saber? Quem dera existir um Coronel Nascimento de verdade no Brasil. “Ah, mas os direitos humanos… ah, mas cada caso é um caso…” Porra, fala sério! Que cada caso é um caso é fato. Existem, claro, aqueles que vivem uma situação horrível em favelas, e o tráfico é a única opção de sustentar a família e tudo mais. Mas peguem o exemplo do Mathias nos filmes. Ele era pobre, andava na favela, mas fez uma escolha: estudar Direito e não usar drogas. Entrou pro BOPE e não se deixou corromper. Uma prova de que é possível fazer a escolha certa, sim! Malandragem brasileira? Que seja usada no futebol, pra fingir que vai cobrar uma falta num canto e chutar no outro. Que seja usada pra roubar um beijo daquela gatinha que você tá afim. Agora, usar pra se dar bem pisando em cima dos outros, seja na política, na polícia ou em qualquer lugar, então tem mais é que se fuder! Anota aí: cedo ou tarde, acabam pagando. Seja com a verdade que vem à tona ou com um “Capitão Nascimento” botando na conta do Papa. Meus parabéns ao diretor José Padilha, que se superou. Eu sou como o Nascimento: se vier com malandragem pra cima de mim, já “pede pra sair”.

ENTREVISTA COM ANDRÉ RAMIRO (E OUTROS ATORES)

Tropa de Elite 2 está em cartaz nos cinemas.

Ficha técnica:
Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro
Brasil, 2010 – 116 min
Ação / Drama
Direção: José Padilha
Roteiro: José Padilha, Bráulio Mantovani
Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Irandhir Santos, Milhem Cortaz, Sandro Rocha, André Mattos.

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Uma resposta to “Crítica: Tropa de Elite 2”

  1. Henrique Says:

    Sensacional o filme, muito boa a atuação do meu sósia Wagner Moura. E aquele gordinho imitando o Hélio Costa é de matar a pau.

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