Crítica: Tropa de Elite 2

10/11/2010 by

Ele está de volta! Capitão Nascimento, o personagem mais famoso do cinema brasileiro recente, retorna para contar uma história mais cruel e polêmica. Na verdade não é capitão. Em Tropa de Elite 2 (2010), cerca de 15 anos se passaram desde os acontecimentos do primeiro filme e o personagem agora é Tenente-Coronel do BOPE. Na trama do filme, Nascimento precisa enfrentar um perigo muito maior do que no primeiro filme: as milícias. Quando descobre que os verdadeiros inimigos usam terno e gravata, ou seja, os políticos, a situação se complica. Em meio a toda a corrupção, ele precisa lidar com as preocupações do seu filho adolescente, que não nutre muito carinho pelo pai. Poderia detalhar mais o enredo, mas sinceramente, acho que é mais interessante você mesmo conferir no filme. Antes de abordar as temáticas, vale destacar as atuações.

Assim como em “Tropa 1”, a interpretação beira o realismo. André Ramiro volta como Mathias, que ocupa o cargo de Capitão nesse filme. Mais centrado, mais ciente de que agora é policial, sem a ingenuidade de quando entrou para o BOPE. Muito bom. Entrevistei Ramiro em Florianópolis, uma semana antes da estréia do filme. Vi um verdadeiro artista falando. Além de atuar, Ramiro é cantor de rap, e demonstrou que leva a sério a arte, que realmente estuda o que faz, no sentido de pesquisar e saber o que está fazendo. Confira a entrevista com ele no vídeo no final desta crítica. Irandhir Santos traz um tom acinzentado à trama como o ativista de direitos humanos Diogo Fraga. Milhem Cortaz está mais canastrão como o policial Fábio, assim como Sandro Rocha como o Major Rocha. Junta-se a eles o extrovertido André Mattos como Fortunato, um apresentador de um programa sensacionalista que entra para a política. Cada um cumpre muito bem seu papel. Mas o filme é mesmo dele: Wagner Moura. Ele brilha em cena. É perceptível o amadurecimento do personagem entre os dois filmes. Vemos sua decepção em descobrir as reais corrupções no sistema. Note que não é raro ver Nascimento com os ombros mais caídos, como se carregasse o peso do mundo sozinho. Vivendo tudo o que ele vive, você também se sentiria assim.

Vou confessar que saí tenso do cinema. A temática mostra, de forma explícita, a corrupção que toma conta do país. Políticos montando esquemas para se elegerem, policiais cobrando propina para protegerem pessoas, editor de jornal se recusando a publicar matéria contra o governo porque o próprio apóia o jornal… é de dar nojo perceber que tudo isso realmente acontece de verdade. Todos nós sabemos que o país tem esses problemas, mas ver isso com os nossos próprios olhos, mesmo que numa ficção, é bem diferente. É de abrir os olhos. Não há espaço para lamentações. As balas disparadas têm destino certo e se alguém morre no filme, é de forma curta e grossa, sem tempo para frases de efeito. Essa temática da corrupção está muito presente hoje no cinema. Não só no Brasil, mas em produções americanas também. Até em filmes como Batman – O Cavaleiro das Trevas, que mostra o Homem-Morcego enfrentando o crime organizado em Gotham City, e não só dando porrada no Coringa.

Tenho certeza que muitos são contra as ações de Nascimento, que acusam o personagem de ser fascista. Mas quer saber? Quem dera existir um Coronel Nascimento de verdade no Brasil. “Ah, mas os direitos humanos… ah, mas cada caso é um caso…” Porra, fala sério! Que cada caso é um caso é fato. Existem, claro, aqueles que vivem uma situação horrível em favelas, e o tráfico é a única opção de sustentar a família e tudo mais. Mas peguem o exemplo do Mathias nos filmes. Ele era pobre, andava na favela, mas fez uma escolha: estudar Direito e não usar drogas. Entrou pro BOPE e não se deixou corromper. Uma prova de que é possível fazer a escolha certa, sim! Malandragem brasileira? Que seja usada no futebol, pra fingir que vai cobrar uma falta num canto e chutar no outro. Que seja usada pra roubar um beijo daquela gatinha que você tá afim. Agora, usar pra se dar bem pisando em cima dos outros, seja na política, na polícia ou em qualquer lugar, então tem mais é que se fuder! Anota aí: cedo ou tarde, acabam pagando. Seja com a verdade que vem à tona ou com um “Capitão Nascimento” botando na conta do Papa. Meus parabéns ao diretor José Padilha, que se superou. Eu sou como o Nascimento: se vier com malandragem pra cima de mim, já “pede pra sair”.

ENTREVISTA COM ANDRÉ RAMIRO (E OUTROS ATORES)

Tropa de Elite 2 está em cartaz nos cinemas.

Ficha técnica:
Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro
Brasil, 2010 – 116 min
Ação / Drama
Direção: José Padilha
Roteiro: José Padilha, Bráulio Mantovani
Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Irandhir Santos, Milhem Cortaz, Sandro Rocha, André Mattos.

Filmes que gostamos: “Antes do Amanhecer” e “Antes do pôr-do-Sol”

03/11/2010 by

Em meio a tantas comédias românticas que costumam ser totalmente previsíveis, dois filmes que falam de romance se destacam. Não são comédias, embora tenham momentos engraçados. Engraçados no sentido de descontração, de uma declaração espirituosa, de um olhar. Estou me referindo a Antes do Amanhecer (1995) e a sua sequência, Antes do pôr-do-Sol (2004). Resolvi postar uma única crítica dividida em duas partes, cada uma falando de um filme.

ANTES DO AMANHECER

O filme é simples: o jovem americano Jesse (Ethan Hawke) conhece a jovem francesa Celine (Julie Delpy) num trem que corta a Europa. Em meio a conversas, o trem chega à cidade de Viena, capital da Áustria, onde Jesse ficará até pegar um avião de volta pra casa no dia seguinte. Sentindo uma sintonia com Celine, ele a convida para descer do trem e passar algumas horas com ele em Viena, antes de ir embora para a América. Celine aceita o convite e a partir daí ambos vão trocando idéias enquanto conhecem a cidade e encontram as mais variadas figuras como videntes, poetas, músicos e atores.

Confesso que fiquei rindo durante uma cena: quando eles entram numa loja de discos de vinil (lembrando que o filme é de 1995) e ouvem uma música dentro de uma cabine. Enquanto ouvem a música, eles ficam num engraçadíssimo “olha, não olha” (aquela situação de você ficar olhando uma pessoa e desviar o olhar quando percebe que a pessoa notou) que dura um bom tempo. Fiquei rindo porque me lembrei dos tempos de adolescente, quando ficava olhando pra uma menina e quando ela notava, desviava o olhar. E vice-versa. O filme é maduro, mas ao mesmo tempo tem esse ar inocente, de dois jovens descobrindo seus sentimentos. Existe, sem dúvida, aquela paixão juvenil de largar tudo e se entregar.

É realmente impressionante o realismo dos diálogos e como são bem escritos. Não se surpreenda se achar que está assistindo a um reality-show. O filme não é convencional, até pela natureza da história. Pra resumir: depois de passarem o dia e a madrugada descobrindo esse novo amor, chega o tal amanhecer e o momento de dizer adeus. É aí que eles param e pensam: “Por que dizer adeus? Vamos combinar de nos encontrarmos de novo.” E assim o fazem. Prometem estar naquela cidade em exatos seis meses para retomarem de onde pararam. Cada um segue seu caminho imaginando o reencontro, e o filme termina.

ANTES DO PÔR-DO-SOL

Nove anos depois do primeiro filme, os atores e o diretor Richard Linklater retornam para contar a história de Jesse e Celine. Curiosamente, nove anos é também o tempo que separa os acontecimentos do primeiro filme da continuação. Jesse escreveu um livro sobre seu encontro com Celine e está divulgando o livro pela Europa. Numa coletiva de imprensa em Paris, ele reencontra Celine e os dois retomam de onde pararam, contando sobre os rumos que suas vidas tomaram e por que não se reencontraram quando haviam combinado, depois daqueles seis meses.

Este filme acontece quase em tempo real. Um minuto do filme é um minuto na “vida real”, ou seja, a história se passa em 80 minutos. É basicamente um diálogo. Mas é mais denso que o primeiro filme, mais maduro, mais racional e, paradoxalmente, mais sentimental. Mais uma vez a conversa abrange assuntos que vão de sonhos, frustrações, visões do mundo. Ao mesmo tempo em que os personagens amadureceram, nota-se que a essência continua a mesma. Jesse ainda é o mesmo romântico do filme anterior que largaria tudo para ficar com Celine, e ela ainda é a mulher que sente o mesmo, mas tem medo de que ele perca o encanto e o romance possa não durar muito.

Não vou nem falar muito da atuação, porque teria que escrever uma resenha separada para destacar todos os detalhes, então faço uma síntese: EXTRAORDINÁRIA! REALISTA! SENSACIONAL! Ambos os filmes tem aquele clima realista de relacionamentos que existe em Closer – Perto Demais. Mas em vez de falar de decepções, falam de sonhos. Enquanto Closer aborda os aspectos negativos, Amanhecer e Pôr-do-Sol falam dos aspectos positivos, do lado bom do romance.

Citando a crítica de Antes do pôr-do-Sol feita por Marcelo Forlani, do site Omelete: “No primeiro [filme] há uma paixão juvenil, inocente, insegura, selvagem e louca a ponto de acreditar no destino. Agora [na sequência], há um sentimento ainda mais forte como dois pedaços de ímã, que até podem se repelir, mas que quando estão na posição certa, são difíceis de separar.”

Eu me identifiquei muito com os filmes. Tanto na questão de criar uma sintonia instantânea e intensa com uma pessoa, como falar sobre a vida e seus sentimentos com a tal pessoa. A questão é: será que você, que está lendo esta crítica e ainda não assistiu aos filmes, também se identificaria? Minha resposta: assista-os! Tenho certeza que, seja com os dois filmes ou com uma única cena, você também vai se identificar.

Ficha técnica:
Before sunrise / Before sunset
EUA, 1995 / 2004
105 min / 80 min
Romance
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater, Kim Krizan (Ethan Hawke e Julie Delpy também colaboraram no roteiro do segundo filme)
Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy.

Filmes que gostamos: De repente é amor

16/07/2010 by

O título do filme já diz: de repente, do nada surge um sentimento que pode mudar o rumo de nossas vidas. Por mais que planejemos cada mínimo detalhe, não há como escapar dos imprevistos. É fórmula batida? É. A gente já sabe que tem final feliz? Sabe. Então o que De repente é amor (A lot like love, 2005) tem de novidade? Mais a frente eu respondo. O que vale ressaltar por enquanto é que filmes românticos costumam ser sempre iguais. E nós continuamos assistindo-os porque o amor ainda é a emoção que mais move o ser humano. Todo mundo procura por uma pessoa especial. Mesmo aqueles que preferem controlar a vida e planejar todos os detalhes sabem que, a qualquer momento, tudo pode mudar. É essa imprevisibilidade que pontua o filme.

Na história acompanhamos um casal (óbvio) e todas as etapas de um relacionamento entre pessoas que se apaixonam, mas levam anos para descobrirem. Os dois estão em um avião com destino à Nova York. Oliver (Ashton Kutcher) está indo visitar o irmão. Emily (Amanda Peet) tinha recém brigado com o namorado. Já no avião rola aqueles olhares. Oliver se levanta para ir ao banheiro e quando menos espera (lembra da imprevisibilidade?), Emily o agarra e os dois transam no banheiro. Quando chegam em Nova York, passam o dia juntos. Oliver mostra-se muito mais interessado em Emily, já que na visão dele, transar logo de cara significa que deve ter algo mais no ar. Infelizmente, Emily não tem a mesma visão. Ou pelo menos, finge não ter. O roteiro segue com inúmeras idas e vindas entre o casal num período de sete anos. O interessante é notar o desenvolvimento dos personagens.

No início, Oliver mostra-se inseguro e tímido e Emily mostra-se segura e descomprometida, uma “porra-louca” por assim dizer. Ao longo do filme, vemos um Oliver mais seguro e sem medo de errar e uma Emily mais centrada e vulnerável. Ambos só conseguem desenvolver tais características por terem se encontrado e trocado experiências. Um aprende com o outro. Isso é evidenciado na tela graças às atuações seguras de Ashton Kutcher e Amanda Peet, que trazem frescor à fórmula das comédias românticas. A atriz já é especialista, depois de ter feito vários filmes no gênero, como o excelente Alguém tem que ceder.

Respondendo a pergunta do primeiro parágrafo: o que o filme tem de novidade? Nada de mais. E é justamente por isso que ele se torna interessante. A graça é se identificar com os encontros e reencontros do casal. Uma história honesta que mostra que os pequenos imprevistos da vida acabam sendo responsáveis por grandes, e boas, mudanças.

Ficha técnica:
A Lot Like Love
EUA, 2005 – 107 min
Comédia Romântica
Direção: Nigel Cole
Roteiro: Colin Patrick Lynch
Elenco: Amanda Peet, Ashton Kutcher, Taryn Manning, Aimee Garcia, Tyrone Giordano, Melissa van der Schyff, James Read, Molly Cheek, Gabriel Mann, Kathryn Hahn, Ali Larter, Amy Aquino, Josh Stamberg.

Filmes que gostamos: Closer – Perto Demais

03/03/2010 by

Depois de um bom tempo longe, voltamos com nossas atividades aqui. De lá pra cá, o blog veio ganhando seguidores fiéis que se interessaram pelas nossas opiniões cinematográficas. Muito obrigado a todos que acessam o “Pra lá de Hollywood”. Bom, o post agora vai inaugurar uma seção que há tempos eu anseio por escrever. A seção “Filmes que gostamos”. Aqui, são feitas as resenhas de filmes que não estão mais em cartaz, normalmente filmes lançados há mais de 5 anos, e que eu e o Felipe não cansamos de assistir. Nessa crítica, vou falar de Closer – Perto Demais.

O diretor Mike Nichols é conhecido por adaptar peças teatrais para o cinema e TV. Começou com a adaptação do clássico da dramaturgia Quem tem medo de Virgínia Wolf?. Também foi o responsável pela minissérie da HBO, Angels in America (2003). Nada mais conveniente então do que ele na direção de Closer – Perto Demais (2004), adaptação da peça homônima escrita pelo inglês Patrick Marber em 1997 e já realizada em palcos brasileiros por Hector Babenco, em 2000. O filme ganhou os Globos de Ouro de melhor ator e atriz coadjuvantes.

Na história, dois casais vivem aparentemente seguros, tranquilos e independentes. Dan (Jude Law) é um escritor e Alice (Natalie Portman, brilhante) é stripper. De um encontro casual no meio da rua, começa a jornada de descoberta de sentimentos dos dois personagens. Dan decide se entregar ao desejo por Anna (Julia Roberts), uma fotógrafa retratista, durante uma sessão de fotos para seu livro. Digo “decide se entregar” porque houve um momento decisivo, como Alice relata no filme, em que ele poderia resistir ou se entregar e escolheu a segunda alternativa. A paixonite vira obsessão. Tanto que Dan finge ser Anna durante um bate-papo em um site pornô. É assim que surge Larry (Clive Owen), um dermatologista que, em meio ao trabalho numa clínica, se aventura nas fantasias virtuais de Dan. Os dois marcam de se encontrar pessoalmente e Dan o manda para um local onde a verdadeira Anna se encontra. Depois de Anna explicar que não era ela no bate-papo, a relação dela com Larry segue seu curso natural até se casarem, deixando Dan ainda mais obcecado.

Tudo isso, você já sabe, resulta naquela famosa troca de casais. Entretanto, é interessante notar os estereótipos dos personagens. Anna é insegura e depressiva. Larry é machista e simplista. Dan é o carente desesperado e infantil e esconde isso com as puladas de cerca. E Alice é a mulher moderna, mesmo com a pouca idade, 24 anos. Aliás, ela é a única que não pula a cerca, fazendo-a uma espécie de “mocinha” do filme. Explicando: Dan trai Alice com Anna, que consequentemente trai o marido. Larry trai Anna com uma prostituta numa viagem de trabalho. E Alice mantém-se íntegra, por assim dizer. É a que sai menos machucada dali. Até mesmo o desfecho, o qual não irei revelar para quem não tenha assistido ao filme ainda pra não perder a graça, parece justificável e perdoável, como se Alice tivesse previsto tudo o que aconteceria a ela. O filme é claramente uma homenagem à personagem. Fato que foi passado despercebido pelos críticos ao indicarem Natalie Portman ao Oscar de melhor atriz coadjuvante (!!??). É notório que ela é a personagem principal do filme. Mas, obviamente, o fato de Julia Roberts estar na película coloca Portman no nível secundário pela “crítica especializada”.

Enfim, um filme que, embora seja um tanto triste, expressa a realidade do nosso tempo. Diálogos ácidos e verdadeiros, sem pudor. Teve gente dizendo que o filme foi um pouco teatral, pela história ser uma peça de teatro originalmente. Uma afirmação equivocada. Pra mim, Closer – Perto Demais é um dos filmes mais realistas que já assisti. Uma história de amor e o que acontece com aqueles que não valorizam este sentimento.

Ficha Técnica:
Closer
EUA, 2004 – 100 min
Drama
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Patrick Marber
Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen.

Sacanagem! – Parte 1

09/12/2009 by

Imagino que um dos momentos mais sublimes na criação de um filme pornô, deve ser a hora em que todos se reúnem para bolar um título para a fita. Há tempos que queria escrever sobre esses brasileiros que transbordam criatividade com suas nomeações geniais. Em toda a nossa nomenclatura pornô-erótica, há títulos para todos os gostos (e estômagos), como o discreto Coisas Eróticas, filme brazuca dos anos 80 pós-ditadura que trata de temas como o incesto e a troca de casais. Uma história no melhor estilo Nelson Rodrigues, com um título que poderia ter saído de uma canção de Vinícius de Moraes. Há também as paródias, das mais forçadas às mais simples. Selton Mello lançou seu filme A Mulher Invisível com a seguinte chamada: “Seu único defeito era querer existir”. A Indústria Pornô não perdoou e lançou em seguida A Garota Invisível: Seu único defeito era querer dar. Simples não? E há aquele segmento que confesso ser o meu preferido: os títulos cujo único objetivo é fazer rir (creio eu). Imagine você com sua esposa entrando na sessão privée de uma videolocadora. Enquanto você procura títulos sensuais e envolventes afim de impressionar sua amada, qualquer coisa como Pecados Íntimos ou Elegância Sexual, ela aparece segurando a última versão de Anal em Aruba ou o clássico Bundas Afoitas, com um sorrisinho sacana entre os lábios. Há também os filmes com pretensões intelectuais, politizados e filosóficos como o fantástico Senta na minha que eu entro na tua de 1985, onde o protagonista se depara com uma situação surreal: um dia ele acorda com um pinto brotando no meio de sua testa. Puro Kafka.

Primeiro vamos às paródias:

AI = Inteligencia Anal (AI= Inteligencia Artificial)

Bat-Xoxota – A Mulher-Morcego

É Furada, Bino (Parodiando o famoso bordão do seriado Carga Pesada: É cilada Bino!)

Erectnophobia (Aracnofobia)

Eu Sei Quem Vocês Comeram no Verão Passado (Eu sei o que vocês fizeram no verão passado)

Pequenos Pêlos, Grandes Negócios ( Parodiando o extinto(?) programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios)

Amor a queima rosca (Amor a queima roupa)

Se meu grelo falasse (Se meu fusca falasse)

Piróquio (Pinóquio)

Pênis, o Penetrinha (Dênis o Pimentinha)

De Costas Para o Futuro (De Volta Para o Futuro)

Duro de Sentar (Duro de Matar)

O Penetrador do Futuro (O Exterminador do Futuro)

Mais títulos você confere em breve…

Crítica: Up – Altas Aventuras

14/11/2009 by

upA primeira coisa que pode vir à mente de muitos brasileiros que foram assistir Up – Altas Aventuras no cinema é a relação com o incidente do padre, que resolveu sair flutuando por aí com balões no ano passado. No entanto, esta animação da Disney/Pixar já estava em finalização quando o incidente ocorreu. Na vida real pode não ter dado certo, mas na ficção tornou-se uma premissa original e muito divertida.

A história do filme é sobre um senhor de 78 anos, Carl Fredricksen, que é apaixonado por aviação desde criança. Na infância, ele conheceu sua esposa, que partilhava do mesmo interesse. Depois da emocionante sequência inicial, que mostra os anos de convivência do simpático casal, vemos Carl vivendo em meio a solidão e tristeza devido ao falecimento da esposa e pelo fato de que ela não podia ter filhos.

Vendo que sua vida está nos seus últimos anos, o velhinho decide realizar um sonho que compartilhava com a amada. Voar por sobre uma floresta tropical, localizada na América do Sul, numa região fictícia que faz fronteira com o Brasil. E para isso, ele amarra centenas de balões à própria casa, fazendo com que sua moradia, decorada com fotos da esposa, o leve até o local, numa tentativa de conduzir o que resta de seu amor à realização do sonho.

O que ele não previa, era a presença clandestina de um garoto de apenas 8 anos, Russel, um alegre e esforçado escoteiro. É divertidíssimo acompanhar o contraste das personalidades de Carl, um velho rabugento, e Russel, uma criança entusiasmada com tudo ao seu redor. Uma espécie de relação pai/filho é criada, de forma a compensar a falta de herdeiros de Carl. Em meio a tudo isso, encontros com pássaros exóticos, cachorros falantes e um aventureiro perdido há muitos anos na floresta.

Não é exagero dizer que a Pixar se supera a cada ano. Up traz referências de outras obras da empresa, como a ação frenética da família de super-heróis de Os Incríveis e a ingenuidade de Dory de Procurando Nemo. Uma história que, assim como os grandes clássicos da Disney, encanta tanto a adultos quanto crianças. Aliás, não se espante se achar que o filme é mais para gente grande do que para a criançada. Os momentos de reflexão sobre a vida e o amor são de emocionar até o mais insensível dos seres. Mas nada que chegue a se tornar um dramalhão. O filme tem inúmeras sequências de ação e momentos inspirados do jovem Russel, que nos fazem lembrar quando vamos visitar os sobrinhos e irmãos pequenos e gargalhamos com as peripécias desses pimpolhos.

Com esse filme, a Pixar conquista de vez todos os ambientes. Já fez sucesso com aventuras na terra, com o já citado Os Incríveis; no mar, com Nemo; no espaço sideral com Wall-E; e até na cozinha com Ratatouille. Com Up, a empresa mostra que nem o céu é o limite.

A única dúvida é: conseguirá a Pixar se superar mais uma vez? Não sei. Mas, com certeza, será divertido descobrir.

Up – Altas Aventuras já está disponível em DVD e Blu-ray para locação e venda.

Ficha Técnica:
Up
EUA, 2009 – 96 min
Aventura / Animação
Direção: Pete Docter, Bob Peterson
Roteiro: Pete Docter, Bob Peterson, Thomas McCarthy
Elenco: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, John Ratzenberger.

A fórmula anti-ressaca de 007

05/11/2009 by

Depois de ler como se prepara a famosa bebida de James Bond, você pode estar pensando em arriscar a preparar por conta própria pra ver se é boa mesmo. Mas e se não cair bem? E se exagerar na dose?

Por isso, resolvi publicar aqui um texto que saiu na revista VIP em dezembro de 2006, que mostra como o agente secreto cura a ressaca depois de ir além da conta. Você pode ver 007 preparando essa receita caseira no filme Goldfinger. Anote aí:

– 1 ovo inteiro
– 1 dose (4,44 cl) de conhaque
– Algumas gotas de molho inglês
– Algumas gotas de molho Tabasco (opcional)

Quebre o ovo com cuidado para manter a gema inteira e despeje num copo alto. Apenas acrescente os outros ingredientes sem mexer e beba de uma vez.

Pra encarar isso aí, não basta ser macho. Tem que ser Bond. James Bond.

Shaken, not stirred

30/10/2009 by

Shaken, not stirred! É assim que James Bond gosta do seu Martini. Batido, não mexido e com vodka. Nos livros o agente secreto criado por Ian Flaming, além de mulherengo, era um bebedor inveterado, com preferências pelo champanhe, uísque e jerez. Já quando as aventuras de Bond foram parar no cinema, James acabou tornando-se um fã ardoroso do Dry Martini. O drink preferido de 007 é na verdade uma variação da receita original. A criação do Dry Martini é envolta em uma série de lendas e inúmeras versões, porém a versão que prevalece é a de que a bebida foi criada em Nova York por volta de 1910. Certa noite no bar do Hotel Knickerbocker o barman italiano Martini de Arma di Taggia atendeu ao pedido do magnata do petróleo (e na época, o homem mais rico do mundo) John D. Rockefeller, que queria beber algo novo, um drink ao mesmo tempo simples e sofisticado. Martini então começou a testar uma séria de combinações até chegar à receita original. A mistura de vermute e gim não só agradou o magnata, como arrebatou fãs celebres, entre eles o escritor Ernest Hemingway, o ex-primeiro-ministro inglês Winston Churchill e o cineasta espanhol Luís Buñuel.

Receita Dry Martini:
– 1 dose de Gim (os mais indicados são Beefeater, Bombay, Gordon’s e Tanqueray)
– 5 gotas de vermute (de preferência o francês Noilly Prat)
– 6 pedras de gelo

Já o Dry Martini exigido pelo agente secreto substitui o gim pela vodka . Smirnoff como ele prefere. Assim como a Aston Martin e os relógios Omega, a Smirnoff tem uma parceria de longa data com a franquia Bond. No total a marca já apareceu em 22 filmes da série, e fez sua estréia assim como James no primeiro filme, 007 Contra o Satânico Dr. No em 1962. Só em Cassino Royale a empresa investiu cerca de R$ 10 milhões de dólares para que a vodka Smirnoff continue fazendo parte do drink predileto de James Bond.

Receita Dry Martini de Bond:
– 3 cubos de gelo
– 5/6 de vodka
– 1/6 vermute dry
– 1 tira (zest) de casca de limão

Modo de preparo: Em uma coqueteleira Boston Shaker misture o gelo, a vodka e o vermute.
Agite rapidamente para não deixar a bebida muito diluída com o gelo. Coe a mistura numa taça previamente gelada especial para Marini e adicione a zest de limão.

Movie Magic

16/10/2009 by

Estava em casa num sábado à tarde, procurando alguma coisa pra fazer. Sabe quando tá aquela “nóia” e parece que não tem nada de bom pra fazer? No meio de tanto tédio que invadia minha mente, uma solução surgiu como que num passe de mágica. Resolvi ir ao cinema, assistir algum “filme-pipoca”. Este termo refere-se aos famosos blockbusters que sempre atraem multidões, resultando em filas gigantescas, pipocas e papéis de balas no chão e grana no bolso dos produtores.

Já de cara encontrei na fila diversas crianças com seus pais, tios e avós, loucas para engatarem uma quinta marcha de adrenalina e vibrarem com o filme. Nos cinco minutos iniciais todo o tédio que se encontrava em mim havia desvanecido. Dizem que a sétima arte possui algo de místico, a chamada “magia do cinema”. Não pelos efeitos especiais caríssimos que trazem à vida mundos fantásticos – um pouco também -, mas pelo fato de que quando você está assistindo a um filme você mergulha em um mundo completamente diferente. Acompanhamos histórias que, mesmo em filmes de ficção, possuem diversas referências ao nosso próprio mundo, à nossa própria realidade.

É fato que os grandes clássicos de outrora, como “E o vento levou”, “Ben-Hur” e “Casablanca” são excelentes obras e tudo mais. Entretanto, é incrível como muitas pessoas criticam os blockbusters alegando que esses filmes não possuem enredo, que são apenas máquinas de caça-níqueis. Mas nem todo filme precisa de um significado profundo. Alguns são feitos com a única intenção de entreter o espectador. Muitas vezes uma simples comédia besteirol é o suficiente para recompor o nosso equilíbrio emocional necessário para enfrentar os problemas do dia-a-dia. Claro que nem por isso devemos misturar as coisas. Os filmes são ótima opção de entretenimento, mas um ou outro, às vezes, pode acabar confundindo fantasia com realidade. Pra isso, cito uma frase de um desses blockbusters: “Não é bom ficar o tempo todo sonhando e esquecer de viver”. Quem disse que esses filmes não ensinam alguma coisa?

Olá amizade!

10/10/2009 by

Testando… 1,2,3… testando…